quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

@ChapeuzinhoVermelho

Um conto que fiz ontem. Espero que sirva - AO MENOS - para passar o tempo de vocês.


Quando Lobo, obviamente um lobo, mas um lobo diferente, pois falava e era inteligente – se formou e virou professor o mundo passou por todo um estardalhaço. O Lobo, brasileiro, ganhou fama mundial. Incrível! Um lobo falante! Todo mundo falava. Com um tempo, como tudo no mundo midiático, o assunto foi perdendo força, mas o Lobo continuou a ensinar.

Teve um dia que foi muito marcante para a vida de Lobo, e mais ainda para o futuro de Emanuela. Emanuela é uma aluna de Lobo, e como atualmente quase todo mundo tem orkut, ao menos quando o mundo se refere ao país Brasil, Lobo também o tinha. Emanuela? Ah, essa nem precisa falar. Na internet ela era conhecida como Chapeuzinho Vermelho, pois vivia com um capuz vermelho. Nesse dia marcante, que eu falava nesse instante, Chapeuzinho Vermelho, com seu capuz vermelho, colocou uma mine-saia e se maquiou toda. Tirou uma porção de fotos e postou no orkut.

O Lobo viu.

E nesse instante ele virou o Lobo Mal. O professor Lobo, primeiro lobo inteligente do mundo, e por isso passou a desejar as menininhas também, pois era inteligente, perdeu o controle. Todo dia ele acessava o orkut da aluna. Com um tempo, ele teve medo de perder o seu passatempo, então salvou as fotos em seu computador.

Tempos depois, a moda do orkut arrefeceu-se, mas não morreu, na verdade continuou forte, só perdeu um pouco de espaço, para mim, por exemplo, pois entrou a moda do twitter. E Lobo pôde acompanhar sua aluna em tempo real, praticamente, já que sabem como é, essas meninas passam o dia naquele twitter. Ah eu também às vezes perco bastante tempo nisso.

E mais recentemente, ChapeuzinhoVermelho, como é conhecida no twitter postou no seu microblog:

Que odio!!! tenho que passar na rua Araujo, la eh perigoso ;s


sabem como eh ne, velho n sabe comprar na net


ah, tenho que ir na vó entregar os cremes faciais dela


q tédio

Como de inocente, os leitores não têm nada, então já se deve imaginar o que vai acontecer. O Lobo, viu isso em tempo instantâneo. Ficou maluco. Ele sabe que a rua é vazia, ele sabe que é veloz, pois ele é um Lobo, mesmo sendo um lobo inteligente, não deixou isso atrapalhar seus instintos animalescos, é claro, diferente de nós.

Lobo rapidamente fechou a janela com a foto de Emanuela, lavou as mãos, vestiu-se e correu para a rua Araújo, era perto de sua casa. Então como um bom animal de caça, vigiou.

Emanuela vinha com seu chapéu, ou capuz, vermelho, e burramente escutava música no seu mp algum número depois do “p” player. A rua é vazia, e ainda dá bobeira. Mas o nosso professor não quer assaltar. Não esse tipo de coisa.

- Oi professor! Senhor aqui!

- É sim... - o Lobo Mal olhou para os lados, verificando, e realmente não tinha ninguém.

- Vou indo professor. - Emanuela sentiu que não devia ficar ali, sozinha com o Lobo. Virou-se e continuou seu caminho.

Bom, quem já escapou de um lobo? E de um Lobo racional? Acho que ninguém. Lobo Mal imobilizou Chapeuzinho Vermelho, arrastou-a para um beco. Arrancou-lhe a língua, para ela não dar com a língua nos dentes. Depois deixou a menina em paz. Ela já estava assustada de mais, paralisada de medo, de dor. Lobo não queria transar com ela não. Aliás, o Lobo Mal só queria olhar para ela. Tocar, ele tocou umas vezes sim, mas a priori ficou foi observando. Linda. Bonita de se ver. Mas seria estranho um lobo cruzar com uma humana, ele ao menos pensou isso. Já os presidiários da cadeia em que ele foi encarcerado não. Acharam o Lobo hipnotizado pela beleza da Chapéu Vermelho e o prenderam, é claro. Toda a fama boa que ele tinha adquirido foi destruída. Enfim, foi preso e sodomizado na cadeia.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Stop

São tempos difíceis. Realmente vivemos na crise da violência, como gostam de chamar alguns jornalistas. Sem querer tirar o mérito dos profissionais, esse nome é bem simplificado para expressar todo o terror que vivemos.

O intelectual da filosofia ou da ciências sociais vai ficar logo por sobreaviso que o que vivemos, ou o que vivo, não se refere apenas a classe alta ou até mesmo média. Eu, uma pessoa de condições humildes, mas satisfatórias, não tenho muito, para se resumir ao que usamos casualmente como coisa material. É, não tenho muitos bens capitais. Pois sem ser nesse âmbito, eu tenho muito sim. Muito a perder...Minha vida, meus amores.

Estou aparentemente angustiado. Prefiro ficar em casa aos cuidados das paredes. A noite? Ela é ótima para se ficar em casa. A qualquer hora posso sofrer uma violência. Nesse ano já mutilaram minhas esperanças algumas vezes. Nunca tinha sido assaltado, e apenas nesse ano aconteceram os casos. Foi um impacto. Um choque de realidade. Depois do choque, apareceram os casos e casos, não, não é só em São Paulo ou Rio de Janeiro. Fortaleza está caótica. E fomos nós que construímos isso. Ou foram eles, do passado. Quem sabe? Para aqueles que estão acostumados com a violência esse relato e nada podem ser a mesma coisa. Banalizaram. Assim como vemos homens dormindo na rua, bebendo água suja, imunda, venenosa, e não nos tocamos. Afinal, pensamos, não há ninguém lá. É tanta violência...De todas as formas. Um tiro qualquer, por nada, quem reagiu? Ninguém. Apenas o ser que não tem vida, tirou a vida de quem tem. A vida só vale para quem tem? Ou só vale para quem a tem?

A vida é palpável. A minha é. Não quero perdê-la, e por isso estou mais em casa ainda. Fechado. Os bestas chamam isso de abstração. É, talvez seja sim. Seu besta. Seu banal. Já se acostumou e nem se incomoda mais em ser fodido. O outro, não tá nem aí, o que digo é apenas a expressão de uma classe abastecida de dinheiro que não faz nada senão tirar o dinheiro dos que tem pouco. E nós, aqui, trabalhamos duro, nossos pais trabalham duros, os poucos honestos desse país trabalham dolorosamente para nos suprir com o necessário, e nos tomam, nos tomam o minguado, o que é pouco. Se for assim, roubem ao menos dos que têm de mais. Aí talvez, para eles, não faça falta. Mas vida faz. Ah, mas ladrão de celular não ler mesmo.

E por aí, pelas ruas continuaremos a ver cenas do tipo:

Eles se beijam. Um pega o rumo de casa, o outro já entra em casa. O que está lá fora, de carro, ruma para sua casa também – o templo seguro – e tenta pegar o caminho tranquilo. O abordam antes de entrar no veículo, roubam o carro com ele dentro, apagam alguém vivo, muito vivo, e depois para não serem reconhecidos, no meio do nada, apenas do caos, atiram na cabeça do moço. O cidadão brasileiro. Ele morre. Jogam a chave do carro fora, e pegam carona com outro ser afilosofado. O cara morto.

Eu em casa, lendo algum poema que só agora faz sentido:

stop

a vida parou?

ou foi o automóvel?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Conjecturas ao sol

O sol incidia sobre o asfalto borbulhante. As pessoas se abrigavam em suas casas e apartamentos como podiam: ventilador, ar-condicionado, sorvete e etc. Eu não tinha nada disso, mas ao menos estava em um banco na sombra.

Uma moça entra no prédio. Sem suor, os cabelos vivos e tranquilos. Sorriso no rosto e óculos de sol. De passo leve e inesperado foi ter com o elevador.

Que estranho... - conjecturei.

Ela não parecia ser atingida pelo calor, e mais, pelo mundo. O dia parecia tão preguento e melancólico, mas ela feliz, limpa. Ela estava de bolsa – sorte - não foi assaltada. A moça se foi, alegre, e eu com suor escorrego pelo rosto e entrando nos olhos, deixando-os ardentes.

Olhei as horas, hora do almoço. Logo a minha companhia de caminhada chegaria para conduzir-me para casa. Amanhã verei a minha moça também. Que não se pode chamar exatamente de moça, nem menina, nem mulher, e sim dos três, mas não vou desviar o foco do assunto.

Para aquela moça, o sol não existia, pois ela iria encontrar um amor. Provavelmente. A minha fica assim também quando tem um encontro comigo?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O sorvete que saiu caro.

Essa é a re-postagem de um diálogo que fiz com o Carlinhos, que por sinal ele pediu para eu postar novamente. Eu tinha colocado a priori no meu já falecido blog Corpo Ambulante, alguns já viram, então não precisa comentar de novo, para quem não, ta aí. Abraço pessoal. Tô com saudades de vocês, é que não postei na semana passada mesmo, desculpas. Aí:












Todo mundo conhece aquelas brincadeiras de que um começa a escrever e o outro continua. Fiz uma dessas com o meu colega de copo(forçadamente - pra poeta ou boêmio ou veado) e letras Carlinhos. Cada um escrevia 7 palavras, começando com ele. Lá vai o texto:





- Mô, compra sorvete?
- Num sei... você sempre dorme depois de tomar sorvete.
- E daí?
- E daí, que você sabe... eu até aprendi uma música nova no violão, essa que toca na novela!
- Hummmmm, então toca. Mas ainda quero sorvete hoje, é desejo!
- Mas amorzinho, a música é bem romântica. Tô precisando daquelas noites de volta, vai!
- Olha o tamanho da minha barriga! Tu nem liga pro nosso filho!
- Ele vai nascer com cara de sorvete, é? (gargalhadas)
- Não! Com a cara do tarado da música safada!
- Mas amor, já são quatro meses sem esquentar o maçarico, aguento mais não!
- Pois trate de sussegar o facho! Já!
- Mulheres! Desisto, vou comprar o sorvete, porém quero ao menos um strip tease. Tudo feito por cê é mara, mô! Começa a se preparar, viu?
- Mas tem umas coisas...tá faltando os acessórios adequatos, dá pra arrumar?
- Isso já tá ficando caro. Bota só os melhores hits para tocar, enquanto vou ver o que faço...
- Onde você vai? Custa nada comprar meu sorvete!
- Vou comprar o sorvete e arranjar algumas cervejas. Sex shop é aberto de madrugada e...
- Ah não! Odeio seu bafo de bebida. Chega. Não quero mais. Só pipoca e sem strip tease! Vai passar Mulher...
- Mulher Menina. Já sei! Odeio esse filme!
- Azar o seu! Vou assistir de porta selada, sozinha, digo, com o bebê! Vá pro sofá sem sorvete, sem cerveja e sem barriguda. Só assim ele nasce com cara de tudo, menos de homem safado!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Duetolatria

Esse poema é um diálogo. Fiz com a Emily pelo msn, fiz a primeira estrofe, ela a segunda, eu a terceira, e ela terminou com a última. Eu não ia postar hoje( ainda é quinta, pois não dormir), porém, como fizemos o dueto, aqui está.


I
- Eu, que vivia solto e largado
Passava horas a conversar
Com a esperança - bicho destroçado,
E por azar, talvez, a tal criatura não tinha mão
Para poder passear comigo ao luar...
Ai! Quem adivinharia que tudo mudaria?
Que com uma simples negativa, qualquer não
A vida minha poderia ter ficado estável...
Não queria, não desejava assim ficar.
E como não esperava, te conheci, tão amável!

II
Por mais que você me esteja a dizer isso,
Eu que me sinto sortuda em tudo.
Diante do nosso firme compromisso
Eu me derreto, fico tonta, muda!
O nosso carinho gira, e retorna, e vem,
Mas a tontura não me faz mal, só bem
Porque de um sentimento tão prazeroso
Nada mais poderíamos ter, senão gozo.
- Todo o mais é resto.

I
- Não há o que competir, mas me ajoelho
Não por submissão, mas por apego
Quero senti-la de olhar aprazível
A tocar-me as mãos com todo esse zelo.
Digo que não vamos esquecer o universo,
Mas tanto sentimento em duas almas assim,
Exige um tempo para se entrelaçar!
Sabes que a vida nos exige mais do que deveria,
Mas juntos, enamorados, vamos nos amar!
Porém, ao chegar visita, faremos sala a quem quiser
O mundo precisa de nossas almas também,
Mas que saibam que tu, apenas tu, és minha mulher...
Ao mundo as cobranças e meu intelecto mecânico,
Mas a ti os poemas e a minh'alma lírica!

II
Ah, sim...! Nosso apego, nossa sublime escolha.
A gota que nos faltava, que escorre e molha
A face antes triste - algo novo aqui germina!
Florescem frondosas flores, frutos e folhas
E fincam-se raízes nesse amor que nos fascina.
Me entrego a ti de corpo e alma, totalmente.
Não me arrependo, pois é devoção diferente,
Idolatria recíproca - ofereço tal qual recebo.
Você, meu senhor, galhardo e mancebo,
É também amigo, confidente, namorado.
Como não o tocar com zelo, amor, cuidado?
É tão ou mais precioso que meu próprio ser!
O mundo chama, mas tudo, tudo pode esperar
Quando é para te ver, para te sentir, te abraçar,
Porque não sabemos o último dia de viver.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Para não dizer que não falei a respeito da postagem de hoje.

Olá, não vou postar nada hoje. Só estou avisando. Mas lerei as postagens de vocês, nobres colegas do Blogs de Quinta.

Bom, terminei de ler a pouco tempo A origem da desigualdade entre os homens do Rousseau, alguém já leu?
E agora, no momento, estou lendo Frankenstein, da Mary Shelley. Esse estou lendo com a Emily, cada um lê um capítulo. É bom que a percepção se aguça mais.
E sozinho, estou lendo Crime em Vulcano , do Jean Lorrah, acho que é homem, não conheço o autor heuaheuae, mas é baseado em Star Trek.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Conjecturas de um babaca terrestre

Noite solitária,
Clichê medonho,
Cerveja na garganta,
Mãos trêmulas.
Muito natural para um poeta.
Acrescentando uma lágrima em cada verso,
Pesadelo poético.
Mais um gole gelado.
Esfria, manera.
Conjecturas existenciais...
Porra de cérebro.